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TIPOS DE ENSAIO DE VEDAÇÃO

Dando continuidade na série de postagens que estamos divulgando sobre ensaio de vedação, concluímos com esta terceira postagem para falar resumidamente sobre os tipos de ensaio de vedação aceitos no PPR – Programa de Proteção Respiratória – Recomendações, Seleção e Uso de Respiradores da FUNDACENTRO. 

Obs.: Para quem ainda não leu recomendo as postagens anteriores sobre o assunto:

  1. A importância da vedação do respirador. <https://www.linkedin.com/pulse/import%C3%A2ncia-da-veda%C3%A7%C3%A3o-do-respirador-gustavo-morette-fernandes-/>
  2. Sua empresa faz Ensaio de Vedação? <https://www.linkedin.com/pulse/sua-empresa-faz-ensaio-de-veda%C3%A7%C3%A3o-gustavo-morette-fernandes-/>

TIPOS DE ENSAIOS DE VEDAÇÃO ACEITOS

O Capítulo 8 do PPR da FUNDACENTRO trata de Ensaio de Vedação e determina no item 8.2 quais são os ensaios permitidos. Antes de listar, cabe explicar que existem 02 grupos diferentes de tipos de ensaios de vedação:

  1. QUALITATIVOS – são tipos de ensaio que dependem da resposta do usuário, portanto, costumamos chamá-los de subjetivos. 
  2. QUANTITATIVOS – são tipos de ensaio onde o vazamento de ar entre a peça facial e o rosto é quantificado, não importando a resposta subjetiva do usuário.

Ambos grupos de ensaio requerem o treinamento do usuário quanto ao modo correto de colocar o respirador, bem como a instrução quanto à finalidade do ensaio e dos procedimentos que serão realizados (item 8.3 do PPR). Essa instrução quanto à finalidade do ensaio obrigatória para todos os tipos, torna-se especialmente importante nos ensaios qualitativos. Uma vez que a “subjetividade” desses ensaios pode prejudicar o resultado final caso a pessoa que passa pelo teste não seja conscientizada da importância de sua resposta às etapas do ensaio. 

Exemplos do que pode acarretar a falta de informação/conscientização do usuário sobre o ensaio são: Alguns usuários podem ser levados a acreditar que precisam necessariamente “passar” no ensaio ignorando possíveis respostas sensitivas que indiquem falha de vedação ou o contrário, se um usuário não “gosta” de determinado modelo ou marca relata a resposta sensitiva indicando uma falha. Essas situações infelizmente existem, mas representam somente uma pequena parcela dos ensaios e dependendo da cultura de segurança da organização serão bastante minimizadas. Podem ser eventualmente identificadas por um condutor de ensaio de vedação experiente mas, de qualquer modo, esse tipo de situação é praticamente extinta ao se utilizar os tipos de ensaio quantitativos aceitos.   

TIPOS DE ENSAIOS QUANTO AO AGENTE DE ENSAIO / METODOLOGIA

Dentro dos 2 grupos de ensaio já informados, o item 8.2 do Capítulo 8 do PPR informa quais os agentes de ensaio e metodologias permitidos, são eles:

AGENTES DE ENSAIO PERMITIDOS PARA ENSAIOS QUALITATIVOS:

  • SACARINA (Solução de sacarina sódica)
  • BITREX® (Solução de benzoato de denatonium)
  • ACETATO DE ISOAMILA (óleo de banana – vapor orgânico com cheiro de banana)
  • FUMAÇA IRRITANTE (cloreto estânico)

Nota do PPR da Fundacentro (pág. 51): “O método fumaça irritante deve ser evitado devido aos danos à saúde que podem ocorrer no caso de uma sobre-exposição”

METODOLOGIAS DE ENSAIO PERMITIDAS PARA ENSAIOS QUANTITATIVOS:

  • INSTRUMENTO PARA MEDIDA DA CONCENTRAÇÃO DA SUBSTÂNCIA EMPREGADA NO ENSAIO (por exemplo, aerossol de cloreto de sódio, de óleo de milho ou outras substâncias)
  • CNC – CONTADOR DE NÚCLEOS DE CONDENSAÇÃO (Exemplo o PortaCount®) 
  • CNP – CONTROLE DE PRESSÃO NEGATIVA (Exemplo mencionado no PPR o FitTester 3000® da empresa Dynatech Nevada – esta companhia mudou para Occupational Health Dynamics OHD e o atual modelo de equipamento CNP é o QuantiFit2®) 

Observação: Os protocolos de execução de todos os ensaios permitidos estão descritos no Anexo 11 do PPR da Fundacentro. Não é o objetivo desta postagem entrar nos detalhes específicos de cada equipamento e seus protocolos, que são facilmente entendidos na leitura do Anexo 11.

LIMITAÇÕES E COMENTÁRIOS DE CADA TIPO DE ENSAIO PERMITIDO

Ensaios Qualitativos de Sacarina e Bitrex:

  • Somente para filtros mecânicos (filtros de partículas) já que o agente é um aerossol;
  • São práticos e portáteis – normalmente carregados em uma pequena maleta;
  • Indicado somente para Peças Um Quarto Facial, Semifacial e Semifacial Filtrante;
  • Pode ser realizado em Peça Facial Inteira, porém o FPA (fator de proteção atribuído) a esse respirador testado com método qualitativo cairá de 100 para 10.

Ensaio Qualitativo de Acetato de Isoamila (óleo de banana):

  • Este ensaio não é apropriado para respiradores contra aerodispersóides, a menos que eles permitam a substituição do filtro para partículas por um filtro químico contra vapores orgânicos ou a adição de um filtro contra VO (neste quesito já se eliminam as Peças Semifaciais Filtrantes – PFF’s);
  • Pode ser portátil, mas não tão prático quanto os anteriores – requer a montagem de uma espécie de câmara de ensaio e o protocolo de execução é um pouco mais complexo;
  • Pode ser realizado em Peça Facial Inteira, porém o FPA (fator de proteção atribuído) a esse respirador testato com método qualitativo cairá de 100 para 10.

Ensaio Qualitativo de “Fumaça” Irritante:

  • Este ensaio deve ser conduzido somente em respiradores com filtro para partículas P3 ou PFF3 (neste quesito já se eliminam as Peças Semifaciais Filtrantes classes PFF1 e PFF2);
  • Este ensaio é muito prático – não requer a montagem de nenhum capuz, câmara ou cabine de ensaio e o protocolo de execução é bastante simples;
  • Pode ser realizado em Peça Facial Inteira com filtro P3, porém o FPA (fator de proteção atribuído) a esse respirador testato com método qualitativo cairá de 100 para 10;
  • Deve ser conduzido em ambiente com ventilação adequada para evitar a exposição do condutor e por isso a ressalva da Nota do PPR da Fundacentro (pág. 51): “O método fumaça irritante deve ser evitado devido aos danos à saúde que podem ocorrer no caso de uma sobre-exposição”.

Ensaio Quantitativo por Instrumento para medida da concentração da substância empregada no ensaio:

  • Admite o uso de diversos aerossóis desde que não perigosos;
  • Este ensaio não é portátil e a operação do equipamento é consideravelmente mais complexa – deve ser construída uma câmara de ensaio com equipamentos que atendam os requisitos do Anexo 11 para realização do protocolo de ensaio;
  • Recomendado a utilização somente de filtros para partículas classe P3 ou PFF3;
  • Mesmo utilizando aerossóis de compostos não perigosos, deve-se ter a precaução para que em nenhum momento a concentração do aerossol exceda os limites de exposição. 

Ensaio Quantitativo por Contador de Núcleos de Condensação (CNC):

  • Recomendado a utilização somente de filtros para partículas classe P3 ou PFF3;
  • É admitido o uso de filtros classe P1 ou P2, ou peças semifaciais filtrantes PFF1 ou PFF2, desde que o instrumento possua acessório para seleção do tamanho de partículas;
  • É recomendado para TODOS tipos de cobertura facial, desde que utilizados os adaptadores adequados para cada modelo de respirador;
  • O equipamento é relativamente portátil e admite a realização em qualquer ambiente já que realiza a contagem das partículas de aerossol do próprio ambiente;
  • O ensaio é relativamente prático, uma vez que normalmente o fabricante do equipamento disponibiliza um software para conexão do equipamento a um notebook que realiza as medições e determina o protocolo instantaneamente; 
  • Dos ensaios quantitativos, globalmente é o mais utilizado.

Ensaio Quantitativo por Controle de Pressão Negativa (CNP):

  • O equipamento normalmente é portátil e de operação prática;
  • Os protocolos são diferentes dos usualmente utilizados nos outros tipos de ensaio e o condutor deve estar preparado para sua execução;
  • Em virtude de ocorrer a medição de outra grandeza (fluxo de ar de uma possível falha de vedação), o tipo de filtro utilizado pelo usuário não importa, pois será substituído por um adaptador geralmente fornecido pelo fabricante do equipamento;
  • Como o equipamento depende da substituição dos filtros, este teste não é possível de ser realizado em Peças Semifaciais Filtrantes (PFF’s).